Papel contra o Tráfico

Criatórios comerciais, como a Estância Aves do Lago, são alternativas para combater uma dura realidade: o tráfico ilegal de aves silvestres.
Com o passar dos anos, a relação homem e aves foi percebida como um negócio. Enquanto criatórios comerciais responsáveis¹ trabalham apenas com aves nascidas e criadas em cativeiro e utilizam recursos financeiros e humanos para dar à ave todo o cuidado necessário para um ser vivo, os traficantes as capturam na mata e as vendem como produtos. A ação do tráfico traz enormes consequências, difíceis de serem relatadas em sua totalidade. Aí vai uma tentativa:

Relação Homens e Aves: O Jeito Errado

Pense em um casal de jandaias, papagaios ou araras silvestres. Monogâmicos, se acasalam, têm filhotes e formam famílias. Nascidas e criadas na mata, as aves vivem em um ambiente onde aprendem a ser livres: buscam seus alimentos, seus parceiros e criam suas formas de defesa. Agora pense nesse casal, ou no filhote, totalmente fora do seu contexto². De repente, um deles é capturado, jogado em uma gaiola minúscula, enxotado no porta-malas de um carro, ao lado de outras aves. O destino? Serem vendidas como produtos em estabelecimentos ilegais.

Relação Homens e Aves: O Jeito Errado e Ilegal

No Brasil, desde 1967, capturar aves silvestres é uma atividade ilegal. Existe uma lógica e um equilíbrio natural na presença das aves na mata. Papagaios, por exemplo, ao se alimentarem de sementes, atuam na dispersão delas. Essa dispersão garante a diversidade da flora local que, por sua vez, serve de alimento para outros animais que atuam em outras funções nesse determinado ecossistema. Se os papagaios começam a sumir, as sementes não são espalhadas, a diversidade da flora desaparece, outros animais não se alimentam com variedade e, sem energia, suas funções dentro do ecossistema se enfraquecem.

Discussões Pouco Práticas

Existe o argumento de que domesticação das aves é a grande responsável pelo tráfico. Mas se trata de uma afirmação superficial e pouco prática.
Superficial porque ignora a importância do papel da domesticação no desenvolvimento humano³, até mesmo como forma de evitar a extinção da espécie ao deixá-las em um ambiente protegido.
E pouco prático porque não resolve o problema. A relação entre aves e humanos existe desde sempre e já foi saudável. Os índios domesticavam aves sem desequilíbrio para o ecossistema porque as conheciam: mantinham uma alimentação coerente para os animais e não as capturavam em idade reprodutiva. 

O Tráfico: Metodologias e Consequências

Mesmo proibida, a captura tem grande força. Trata-se de tráfico de aves silvestres. Em busca do dinheiro fácil, a motivação desses criminosos é egoísta, a preocupação com o outro não existe. Seja o outro a ave, o meio-ambiente ou o próprio ser humano.

Para capturar aves na mata, os traficantes derrubam árvores inteiras, na expectativa de encontrarem ninhos. A captura ilegal de aves provoca um intenso desmatamento de florestas.
Para o traficante não existe diferenciação de aves, todas são iguais. Dessa forma, todas estão na ameaça de serem capturadas, até as em idade reprodutiva, um grande problema para a continuidade das espécies. Índios também caçavam aves para alimentação ou domesticação. Mas não era qualquer uma. Nunca capturavam aves em idade reprodutiva: sabem que as que reproduzem são as que se adaptaram melhor e por isso são as que garantem a diversidade, o desenvolvimento e a continuidade da espécie.
Aves capturadas são colocadas em gaiolas apertadas e transportadas em porta-malas de veículo para os locais onde serão vendidas. A maioria dessas aves, estressada, morre no meio do caminho. Ou morre pouco tempo depois.
Entre a captura e a venda não há cuidados em relação à saúde da ave. Da forma como foi presa será vendida. Aves estressadas são mais propensas a contrair doenças.
Aves do tráfico são vendidas por valores extremamente baixos. Ninguém sabe de onde vieram, ninguém se preocupa em aprender ou ensinar os cuidados necessários para a sua sobrevivência. A maioria dos que compram e vendem em estabelecimentos ilegais pouco entende sobre a ave. Ela será tratada sem os cuidados necessários. A ave, na maioria das vezes, morre.
Boa parte das aves adquiridas pelo tráfico não conseguem se adaptar à vida doméstica. Os donos não conseguem domá-las e acabam soltando-as em um lugar qualquer. Liberar um psitacídeo em qualquer lugar é um ato irresponsável: a ave não tem a menor noção de onde está e sua presença pode afetar o ecossistema onde foi liberada.
Passo a passo para quem quer cuidar de uma ave
Conheça a espécie que você quer ter em casa Não capture aves do seu habitat natural. Tenha em casa apenas aves nascidas em cativeiro Faça a sua parte: escolha um bom criatório. Bom para a ave e para você Tenha um tempo para a ave que você escolheu Compartilhe o que aprendeu